A Realidade
Texto do Ir. Marcelo Mazarin Bicudo
REALIDADE, é tudo aquilo que existe, independentemente de você perceber ou não. Mas… o problema começa justamente aí: o que significa “existir”?
Filósofos como René Descartes questionaram se podemos confiar nos sentidos. É dele o seguinte pensamento:
Como posso pensar em uma coisa 100% segura?
Primeiro eu preciso duvidar de tudo que pudesse ser falso.
Será que eu sou verdadeiro?
Como eu sei que não estou sonhando?
E se existir um ser poderoso que me engana o tempo todo?
Como eu sei que estou acordado e não estou dormindo?
Descartes percebeu algo:
“Mas… se estou duvidando… algo está acontecendo.”
Duvidar é uma forma de pensar, ser enganado também é uma forma de pensar. Questionar já é pensar Então:
Mesmo que tudo seja falso… o ato de pensar é real.
Ele chegou à famosa conclusão: “Penso, logo existo” (pelo menos enquanto penso).” ou seja, a única certeza absoluta é a própria consciência. Descartes não está dizendo: “Eu existo como corpo, como pessoa, como identidade completa” Ele está dizendo: “Eu existo como coisa pensante”, uma consciência.
Já Immanuel Kant propôs que nunca acessamos a realidade “em si”, mas apenas a realidade como aparece para nós, filtrada pela mente
Você não vê o mundo como ele é,
você vê o mundo como você consegue perceber.
Na física, especialmente após Albert Einstein e a mecânica quântica, a realidade deixou de ser algo fixo e absoluto.
O tempo pode se dilatar, o espaço pode se curvar, partículas podem existir em vários estados ao mesmo tempo
A realidade é relativa ao observador e,
em certos níveis, até probabilística.
Em tradições como o budismo, associado a Siddhartha Gautama, a realidade comum é vista como uma espécie de ilusão (Maya). O que você chama de “real” seria uma construção do apego, do ego e da ignorância. A verdadeira realidade estaria além das formas, conceitos e dualidades.
· A realidade objetiva é o que existe independente de você
· A realidade percebida é o que seus sentidos captam e
· A realidade interpretada é o significado que sua mente dá.
Você nunca vive a realidade pura, você vive uma versão traduzida dela.
Se tudo o que você conhece passa pela sua mente, como saber se você está vendo o mundo ou apenas um modelo dele?
Neste ensaio, a construção do raciocínio continua com a seguinte proposta, o cruzamento de dois conceitos fundamentais: os 5 pilares e os 7 degraus.
Os 5 Pilares
Os 5 pilares representam as principais inteligências que permeiam nosso cotidiano. O desenvolvimento harmonioso de cada um desses pilares é essencial para alcançarmos o equilíbrio, a prosperidade e a evolução que buscamos. É vital tratar cada um deles com a devida atenção e importância, pois juntos eles formam a base sólida do verdadeiro equilíbrio.
1. Pilar Físico: Refere-se à saúde e ao bem-estar do corpo.
2. Pilar Mental: Diz respeito ao desenvolvimento do intelecto e à capacidade de reflexão.
3. Pilar Emocional: Relaciona-se ao crescimento emocional e à inteligência afetiva,
4. Pilar do Trabalho: Envolve a maneira como empregamos nosso tempo e esforço na busca pelo sustento.
5. Pilar da Espiritualidade: Refere-se à busca pela compreensão do divino e ao desenvolvimento espiritual.
Os 7 Degraus
Os 7 degraus constituem uma escada evolutiva, simbolizando as etapas que precisamos percorrer para alcançar nossos objetivos:
1. Degrau da Força: Representa o esforço necessário para romper a inércia.
2. Degrau do Trabalho: Simboliza a perseverança, a persistência e a dedicação.
3. Degrau da Ciência: É o espaço do estudo e do conhecimento das causas e efeitos.
4. Degrau das Virtudes: Refere-se à habilidade adquirida ao longo do caminho.
5. Degrau da Pureza: Representa a maturidade e a profundidade da habilidade na fase adulta.
6. Degrau da Sabedoria: Envolve o equilíbrio entre ações práticas e teóricas.
7. Degrau da Verdade: Simboliza a realidade em sua plenitude.

A proposta desse ensaio, propõe a intersecção entre essas duas estruturas, os 5 pilares e os 7 degraus. Em cada um desses pilares, estamos posicionados em uma etapa de nossa jornada evolutiva. Ao integrar todos esses pontos, formamos um plano pentagonal, que traduz a concepção de "realidade" para cada indivíduo.
Nesse exemplo, temos a razão posicionada no 6° degrau, a saúde no 4°, a emoção oscilando entre o 2º e o 7°, o trabalho entre o 2º e o 6°, e a espiritualidade situada em 5,5. Essa configuração reflete a singularidade da realidade de um indivíduo, que, por sua vez, pode variar de acordo com suas emoções e experiências profissionais.
Assim, "REALIDADE" nos convida a refletir sobre a complexidade de nossas vidas, interligando corpo, mente, emoções, trabalho e espiritualidade em uma construção continua e única de nós mesmos.
A evolução da consciência está diretamente relacionada ao gasto de energia em determinadas áreas do conhecimento humano. Seus diferentes níveis de desenvolvimento, fazem parte de um todo e revela quem somos de fato.
A ideia de “desnudar a realidade” não é literal, ela acontece por meio de camadas simbólicas de compreensão, que vão sendo reveladas conforme o iniciado amadurece. Não existe uma lista única universal, mas há uma estrutura clássica que pode ser entendida em níveis:
1. A realidade profana (Aparência) É o mundo como ele se apresenta: opiniões prontas, valores herdados, ilusões sociais. Aqui, o indivíduo ainda está “adormecido”, vivendo mais por condicionamento do que por consciência. -Medo de perda -Necessidade de controle -Repetição de comportamentos.
2. O despertar marca o início da ruptura.
A pessoa começa a perceber que, nem tudo é o que parece, entende que tem certos desejos que não são seus, que o conhecimento exige silêncio, observação e disciplina. É o primeiro “desnudamento”: sair da ignorância simbólica. “O que você é versus o que foi imposto. “ O que você quer de verdade?
3. Conflito. Surge a percepção das polaridades:
luz e sombra bem e mal * razão e emoção
Começamos a entender que a realidade não é linear, ela é construída por tensões e equilíbrios. É uma fase de questionamento profundo. -Precisar controlar versus precisar confiar -Força versus vulnerabilidade.
4. Autoconhecimento. A verdade interior. Nesse nível, o foco deixa de ser o mundo externo e passa a ser o interno. A grande revelação é: A realidade não está fora, ela é interpretada e construída dentro. Símbolos como morte e renascimento indicam a desconstrução do ego e o surgimento de uma consciência mais lúcida.
5. O simbólico como linguagem da realidade. A maçonaria não “explica” a verdade, ela aponta. Ferramentas, rituais e alegorias mostram que: A realidade profunda não é totalmente racional Ela precisa ser intuída, vivida e experimentada. A realidade externa reflete seu grau interno
6. A unidade (síntese) Visão ampliada. Nos níveis mais elevados (filosoficamente falando), desaparece a separação: sujeito × objeto matéria × espírito. Surge a noção de unidade: tudo está interligado. – Você antecipa padrões – Entende ciclos – Enxerga além do óbvio.
Não existe separação da dor, do prazer, tudo é aprendizado.







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