O Perfil do Candidato
Texto do Ir. Marcelo Mazarin Bicudo

Introdução:
O termo “ *livre e de bons costumes” tornou-se tão relativizado e abrangente que a avaliação de candidatos deixou de ser realizada com a profundidade necessária, sendo aplicada apenas em casos de discrepância evidente. Como resultado, observamos uma vasta rede de interesses e indivíduos sem o perfil adequado, o que justifica o elevado índice de evasão das ordens estabelecidas. Essa situação gera não apenas um desgaste de tempo e energia, mas também uma perda do entusiasmo e a superficialização do processo. Neste artigo, buscaremos resgatar alguns valores, reflexões e pontos que possam ser úteis para enfrentar essa questão.
Quesitos de um candidato:
1-Ao abordar os quesitos de um candidato, é essencial ir direto ao ponto: essa peça de arquitetura inspira-se nas origens das primeiras escolas iniciáticas, assim como em outras vertentes fundamentais à nossa ordem, com raízes que vão da tradição judaico-cristã à Kabbalah, passando pelo Hermetismo e pela Rosa Cruz. Essas correntes têm em comum a busca por um caminho interior que visa responder a questões universais.
Para desrelativizar o conceito de “Livre e de bons costumes”, começamos por considerar a liberdade como a capacidade de desenvolver os raciocínios apresentados durante a jornada maçônica. Isso inclui não apenas a disposição para mudar formas de pensar e quebrar paradigmas, mas também a habilidade de ressignificar a verdade quantas vezes forem necessárias. Neste contexto, é evidente que o candidato deve ter, previamente, transitado pelas *Sete Artes Liberais, que constituem o primeiro quesito da jornada. Sem esse conhecimento, compreender a maioria dos símbolos, alegorias e ornamentos da ordem se torna quase impossível.
2-Ao abordarmos a segunda parte da expressão, “de bons costumes”, aplicamos o conceito de altruísmo, entendido como a capacidade de pensar no outro sem esperar reciprocidade.
3-Com a expressão agora clarificada e objetivada, podemos avançar para outro termo comumente encontrado nas escolas mais tradicionais: “Ser um Buscador”. Esse conceito refere-se a uma pessoa em busca de si mesma Gnote Seaton e do equilíbrio, sempre evitando excessos Medem Agan.
4-Um outro aspecto seria a idade, segundo a teoria dos setênios, aos 42 anos iniciamos o terceiro ciclo de vida, nesse teoria proposta pelo filósofo e educador brasileiro Jean Piaget, sugere que o desenvolvimento humano ocorre em ciclos de sete anos, cada um dos quais representa uma fase distinta na vida de uma pessoa. Esta abordagem se baseia na ideia de que cada setênio traz consigo desafios, habilidades e aprendizagens específicas, moldando a personalidade e as capacidades do indivíduo.
A teoria dos setênios oferece uma lente interessante pela qual podemos examinar o desenvolvimento humano ao longo da vida. Embora a divisão em ciclos de sete anos não deva ser considerada uma regra rígida, ela levanta discussões sobre as fases que todos nós enfrentamos e como estas influenciam nossa trajetória. Essa abordagem permite compreender melhor os desafios e as transições em cada período da vida, incentivando reflexões sobre o próprio desenvolvimento pessoal.
Essa teoria demonstra que o crescimento humano é contínuo e multifacetado, e que cada fase traz oportunidades para evoluir e se reinventar. Indo ao ponto que nos interessa:
35 a 42 anos: a reflexão e reavaliação
O indivíduo se volta para o autoconhecimento e para a revisão de suas escolhas e conquistas ao longo dos anos. Este período pode trazer crises de meia-idade, onde um novo ciclo de desenvolvimento pode ser iniciado.
42 a 49 anos: a sabedoria e a transmissão de conhecimento
Na fase final do ciclo, muitos se tornam mentores e buscam transmitir o que aprenderam para as gerações mais jovens. A reflexão sobre o legado e a busca por um significado mais profundo da vida tornam-se centrais.
5- *Ter a mente aberta, considero essa a característica mais importante, a qual
está relacionada à maneira como as pessoas abordam novas ideias, informações e experiências, aqui estão as principais distinções:
5.1- Disposição para Aprender: Pessoas com mente aberta estão sempre dispostas a aprender e explorar novas perspectivas. Elas valorizam o conhecimento e a experiência, mesmo que desafiem suas crenças pré-existentes.
5.2-Aceitação da Diversidade: Essas pessoas costumam ser mais receptivas a pontos de vista diferentes dos seus, incluindo diferentes culturas, crenças e modos de vida. Elas costumam buscar entender o outro antes de formar um julgamento.
5.3-Flexibilidade: Com uma mente aberta, há uma maior flexibilidade na forma como se aborda a vida e as decisões. Se encontrarem novas evidências, estão dispostas a reconsiderar suas opiniões e ajustar suas crenças.
5.4-Crítica Construtiva: Indivíduos com mente aberta apreciam debates e discussões construtivas, utilizando essas interações para aprimorar seu próprio entendimento e conhecimento.
Sei que não é fácil observar esse características nas pessoas, por isso acho importante o contraponto nesse caso. Mente Fechada: Resistência à Mudança-Preguiça Intelectual- Intolerância- Dificuldade em Aceitar Críticas
6. Nesse último ponto vou deixar uma série de perguntas para que façamos uma reflexão muito honesta e objetiva sobre o tema, afinal, o candidato não sabe ao certo em que tipo de ordem estará ingressando, por isso é importante que esse tema se estenda as percepções do padrinho, assunto que traremos na sequência.
Que tipo de instituição o candidato pretende ingressar;
Uma Escola? Um Clube? Uma Empresa? Uma Franquia? Uma religião?
Se esforçará para fazer parte disso?
O Papel do Padrinho
No contexto da Maçonaria, o papel do padrinho é distinto. É ele quem faz o convite, identificando características que sugerem que o candidato possui o perfil adequado para ingressar na instituição. Por ser a pessoa mais próxima do futuro membro, o padrinho assume grandes responsabilidades.
Ser padrinho envolve um compromisso emocional profundo e um desejo genuíno de ver a outra pessoa prosperar. O laço que se forma vai além da formalidade, tornando-se uma parte especial da vida tanto do padrinho quanto do afilhado. Ele deve estar disposto a contribuir para o desenvolvimento e bem-estar do candidato, oferecendo conselhos e apoio em momentos de dificuldade, além de servir como guia na trajetória maçônica.
O padrinho também tem a responsabilidade de acompanhar o afilhado durante rituais, prometendo cuidar de sua formação espiritual e atuando como um exemplo a ser seguido. Este relacionamento muitas vezes se expande para um vínculo profundo com a família do afilhado, permitindo que a relação transcenda as obrigações formais e se consolide como uma amizade duradoura.
Além disso, é comum que o padrinho seja convidado a participar de momentos significativos na vida do afilhado, como aniversários, formaturas e outras celebrações importantes.
Como estamos convidando um profano para fazer parte de uma escola iniciática, uma escola que convida o candidato a percorrer um caminho interior; é muito importante ter em mente o critério que outras sociedades que tem o mesmo propósito são unânimes na hora de indicar; SER UM BUSCADOR, o mais importante de todos os critérios, indicar alguém que já esteja em busca de si, já esteja procurando o autoconhecimento e ter alguma noção ou estar disposto a aprender matemática, geometria, música, astronomia, ler, escrever e falar; além de ajudar ao próximo sem querer tirar proveito. São quesitos essenciais para que o proponente consiga se situar em toda a gama de conteúdos que será inserido.
Pergunta que o Padrinho deve responder:
Tem perfil para frequentar os altos graus ou vai ficar apenas na loja base?
Obrigações do Padrinho: Ser responsável pelo seu afilhado, indicar sendo coerente aos quesitos anteriores, frequentar regularmente a loja base, estar comprometido com a evolução constante do seu indicado, incluindo as obrigações financeiras, frequência, trabalhos e participação em eventos oficiais.
OS 8 TENTÁCULOS MAÇONICOS.
As qualidades que buscamos não estão apenas registradas em livros, mas na dinâmica entre os irmãos nas diversas correntes. Ao convidar um profano, é fundamental investigar suas características, garantindo que não sejam semelhantes àqueles irmãos que já temos em excessiva quantidade na Loja.
1ª. Corrente, TENTÁCULO DOS ESTUDOS, irmão que tem inclinação aos estudo da ordem em geral, que querem se aprofundar nos conhecimentos .
2ª. Corrente , TENTÁCULO DA CARIDADE, - Irmãos que participam como voluntários em eventos para arrecadação de fundos para outrem, que sejam capaz de trabalhar como voluntários nas instinuições, que trabalhem a serviço de um bem maior, não buscando algum benefício próprio.
3ª. Corrente, TENTÁCULO DO LAZER, Irmãos que se disponibilizem em realizar eventos para a diversão dos próprios Irmãos com as cunhadas, com a finalidade de promover a unidade da família maçônica.
4ª. Corrente, TENTÁCULO DA ORATÓRIA, Irmãos que tenham tempo e capacidade de realizar palestras em escolas, empresas etc... (Sobre um assunto que domina) com intuito de difundir conhecimento.
5ª. Corrente, TENTÁCULO DOS ESCRITORES, Irmãos que tenham vocação para escrever para revistas, livros, trabalhos autorais... para deixar o nome da Loja gravado e que assim a loja seja eternizada.
6ª. Corrente, TENTÁCULO DA POLÍTICA: Irmãos que façam parte da política de verdade, justa e honesta, para defender os interesses do coletivo municipal e não apenas os interesses pessoais de um ou alguns.
7ª. Corrente, TENTÁCULO DA CONSTRUÇÃO FÍSICA. Irmãos que se dediquem em cuidar e melhorar a nossa casa, que tenham esse olhar para a questão física do espaço, como arquitetos, engenheiros e pedreiros.
8ª. Corrente, TENTÁCULO DA RITUALÍSTICA. Irmãos que cobrem e exijam procedimentos corretos e de acordo com nossos Rituais, especialistas no rito.
Conclusão:
O processo de seleção de candidatos deve ir além de aspectos superficiais e considerações simplistas. A verdadeira essência de um “candidato livre e de bons costumes” requer um olhar atento e fundamentado, que valorize o autoconhecimento, a ética e a integração das experiências vividas até então. Ao resgatar valores tradicionais, como o altruísmo e a busca pelo autodesenvolvimento, podemos construir um futuro mais sólido e coeso, onde indivíduos verdadeiramente comprometidos se integrem a ordens e instituições que buscam não apenas eficiência, mas também um impacto positivo na sociedade. A reflexão sobre os quesitos apresentados neste artigo nos convida a reavaliar nossas práticas de seleção e a priorizar candidatos que compartilhem desses princípios, garantindo não apenas a preservação dos valores fundamentais, mas também o fortalecimento das bases de nossa convivência coletiva.
Como consideração final, gostaria de enfatizar que "a Maçonaria é aquilo que nós queremos que ela seja". Esse processo começa com as pessoas que convidamos a ingressar em nossa ordem. Ao formarmos um grupo de verdadeiros vocacionados, estabeleceremos um fluxo em que, naturalmente, os semelhantes atraem os semelhantes (Similia similibus congregantur). Esse magnetismo social e emocional não apenas facilita a convivência, mas também fomenta a criação de um ambiente mais harmônico, onde a troca de ideias e experiências se torna prazerosa e produtiva. Ao unirmos esforços com indivíduos que compartilham nossos valores e propósitos, podemos fortalecer nossas comunidades e ideais, ampliando as possibilidades de crescimento e evolução dentro e fora da Maçonaria.
“ A maçonaria é aquilo que nos fazemos que ela seja”
Palavras chaves
#Gnote Seaton #Medem Agan #Similia similibus congregantur #Livre e de bons costumes #Sete artes liberais #Buscador #Setenios #Mentalidade aberta
BIBLIOGRAFIA:
1-A DOUTRINA MAÇONICA, Carlos Basílio Conte
2- Dalai Lama Fala de Jesus, FREEMAN, LAURENCE
3- Bíblia, Ave Maria.
4- Ciência Secreta- Henri Durville.
5- O Caminho do meio, Dalai Lama
6-Pitágoras, Carlos Basílio Conte
7- Geometria Maçonica, Álvaro de Queiros
8- Os segredos da Maçonaria. LOMAS, R.
9-Aprenda a silenciar a mente, Osho
10- Sefer Ietsrá, Arieh Kaplan
11-Livro da Filosofia, Globo Livros
12- Youtube:Física quântica e espiritualidade, Laércio Fonseca.
13- A iniciação de Jesus, Dr.R. Swinburne Clymer.
14- Manual do Aprendiz Maçom, Aldo Lavagnini.
15-O livro de Urantia.
16-Conversas e Reflexões com os Ir.: Leandro Gasparini; Ir.: Fernando Luis Crozati ; Ir.: Marco Alexandre Gotardelo; Ir.:Duarcides Mariosa; Ir.: André Cavicchia.





Comentários