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Collegia Fabrorum

9 de mai.
2 min de leitura

Texto do Ir. Flavio Dellanzana - Grande Oriente de Santa Catarina/COMAB



A Maçonaria operativa na Itália, especialmente em Roma, encontra registro histórico no surgimento dos collegia fabrorum, guildas de artesãos da Roma Antiga dedicadas a diversos ofícios, como construtores, pedreiros, carpinteiros e metalúrgicos. O termo fabrorum deriva do latim faber, que significa “artesão”.


Essas guildas desempenhavam um papel fundamental na estrutura social e econômica romana. Eram responsáveis por assegurar a qualidade do trabalho, regular a concorrência, formar Aprendizes e oferecer suporte aos seus membros, funcionando também como uma rede de proteção social.


Os collegia estabeleciam normas para as práticas profissionais, definindo padrões de qualidade e, em muitos casos, regulando preços de serviços e produtos. Além disso, frequentemente possuíam funções religiosas, dedicando-se ao culto de divindades associadas aos seus ofícios e promovendo festivais e cerimônias.


Seus membros eram amplamente empregados em grandes obras públicas, como templos, aquedutos, estradas e outras infraestruturas que marcaram o legado da Roma Antiga.


Embora organizações semelhantes existissem em outras civilizações, como na Grécia, foi em Roma que os collegia assumiram um papel particularmente relevante. Isso reflete a forte ênfase da sociedade romana na urbanização, no direito e na organização coletiva. Ao longo da República e do Império, essas associações tornaram-se instituições essenciais, com atividades frequentemente reguladas por leis estatais.


O modelo dos collegia fabrorum influenciou diretamente o surgimento das guildas medievais europeias. Assim como seus predecessores romanos, essas corporações regulavam ofícios, formavam Aprendizes e ofereciam apoio aos seus integrantes. Anteciparam, inclusive, características das associações profissionais e sindicatos modernos, evidenciando a importância duradoura dessas estruturas na organização do trabalho e na manutenção de padrões profissionais.


Outro importante testemunho da tradição operativa romana encontra-se na obra De Architectura, também conhecida como Os Dez Livros da Arquitetura, escrita pelo arquiteto e engenheiro romano Vitrúvio no século I a.C., durante o período de César Augusto. Trata-se da única obra completa desse gênero sobrevivente da Antiguidade, constituindo uma fonte inestimável sobre técnicas construtivas, princípios arquitetônicos e conhecimentos científicos da época.


Dividida em dez livros, a obra aborda temas como a formação do arquiteto, unidades de medida e fundamentos da construção. Vitrúvio descreve materiais como pedra, madeira e cal, detalhando seus processos de extração e uso. Também apresenta diretrizes para a construção de templos e discute as ordens arquitetônicas clássicas: Dórica, Jônica, Coríntia, Compósita e Toscana.


A influência de De Architectura atravessou os séculos, especialmente a partir da Renascença, quando seus manuscritos foram redescobertos e difundidos. A obra inspirou nomes como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Palladio, entre outros. Seus princípios — firmitas (durabilidade), utilitas (utilidade) e venustas (beleza) — tornaram-se pilares da teoria e da prática arquitetônica ocidental.


A expansão do Império Romano, uma das maiores forças de conquista da Antiguidade, estendeu-se por vastos territórios, do Norte da África à Britânia, deixando um legado arquitetônico e cultural de enorme relevância.


“A arquitetura é uma ciência, surgindo de muitas outras e adornada com muitos e variados ensinamentos; por meio dela forma-se um julgamento das obras que resultam das demais artes.” — Vitrúvio

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