O Rito Escocês Antigo e Aceito - Suas Origens

O Rito Escocês Antigo e Aceito, em sua configuração contemporânea, apresenta uma origem multifacetada, cujos primórdios remontam a três distintas localidades geográficas: Escócia, França e Estados Unidos.
Na Escócia, sob a égide da dinastia Stuart, notabiliza-se o marco inaugural da maçonaria com a iniciação do Rei James VI, posteriormente conhecido como James I do Reino Unido, em 1601. Este evento foi realizado no contexto do denominado Craft. Após o exílio dos Stuart para a França, em virtude das Revoltas Jacobitas, o núcleo essencial do que viria a ser o Rito Escocês foi transportado para este país. Batizado como "Rito de Heredom", este sistema era composto por 25 graus e serviu como ponto de partida para a sua subsequente difusão.
Nos Estados Unidos, o Rito de Heredom foi introduzido pelos colonizadores franceses na Louisiana, culminando na formação do termo "Rito Escocês Antigo e Aceito" para denotar o sistema expandido, composto pelos 25 graus originais do Rito de Heredom e mais o acréscimo de 8 graus, totalizando os 33 graus praticados atualmente. Em Charleston, Carolina do Sul, nasceu o primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito no mundo, em 1801, marcando um ponto crucial na sua institucionalização. Vale destacar um fenômeno peculiar nos Estados Unidos, onde a maçonaria tem uma presença significativa, com aproximadamente 2 milhões de membros distribuídos em 50 Grandes Lojas e inúmeras lojas locais. Neste contexto, observa-se que 99,8% das lojas maçônicas adotam o Rito de York, enquanto o Rito Escocês Antigo e Aceito é praticado em apenas 29 oficinas, especialmente por membros de origem latina e francesa. No Brasil, para fins de comparação, a presença maçônica é estimada em cerca de 215.000 irmãos sendo que o R∴E∴A∴A∴ é o rito mais praticado.
A ESTRUTURA DO REAA
Para entendimento de suas origens, precisamos compreender que Todo o sistema do Rito Escocês Antigo e Aceito está baseado em textos, embora cada Obediência Filosófica (Supremo Conselho do Rito) organize os seus Regimentos e elabore as leis necessárias ao seu correto funcionamento. Os documentos (textos) fundamentais do Rito Escocês Antigo e Aceito, em ordem cronológica são:
a) O Discurso Ramsey, publicado em 1738;
b) A Constituição de 1762, como Estatutos, Institutos e Regulamentos Gerais;
c) Os Novos Institutos Secretos e Fundamentais, datados de 1786;
d) As Constituições, Estatutos e Regulamentos para o governo do Supremo Conselho dos Inspetores Gerais, datados 1786;
e) As Revoluções do Congresso de Lausanne (Suíça) em 1875
Em 1875, em Lausanne na Suíça foi realizado um Congresso com diversas obediências do mundo todo, entre inúmeros assuntos discutidos, um deles foi a utilização da cor Vermelha nos aventais do R∴E∴A∴A∴, nos diz o Ir∴ William Almeida de Carvalho, 33:
“Outro ponto importante foi que o Conclave permitiu a todas as jurisdições do Rito Escocês ter idênticas Constituições apesar da diferença de rituais. ... E aqui a divisão ficou entre os latinos e os anglo-saxônicos: os latinos usando o avental vermelho do Mestre Maçom e os anglo-saxônicos continuando com os seus aventais azuis.”
Conforme registrado no já citado Congresso de Lausanne, os aventais são brancos, orlados de vermelho, com as letras M e B inscritas também em vermelho ao centro.
Mas porque existem, então, Lojas/Potências Regulares que utilizam Aventais da Cor Azul? A explicação vem originado de um sentimento que deveria ser enterrado na Câmara das Reflexões: Vaidade.
Em 1927, durante uma cisão no Grande Oriente do Brasil (GOB), Mario Behring encabeçou a criação das chamadas Grandes Lojas (que deu origem à GLESP, por exemplo), esta nova entidade decidiu, para se alinhar mais próximo e conseguir o almejado reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra e das Grandes Lojas dos Estados Unidos, adotar a cor Azul em seus aventais e templos, criando assim uma particularidade tipicamente brasileira no Rito Escocês Antigo e Aceito. O GOB seguiu o alinhamento das Grandes Lojas e também alterou seus paramentos para o Azul pouco tempo depois.
Como membro fundador da Confederação Maçônica do Brasil (COMAB), o GOP permaneceu alinhado às origens do R∴E∴A∴A∴, utilizando a correta cor Vermelha em seus Paramentos.
A origem do motivo uso da cor vermelha, de acordo com registros históricos, surge na Revolução Francesa onde seu lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” foi adotado pela Maçonaria. Para os Franceses, o vermelho simbolizava a Fraternidade (Azul sendo Liberdade e Branco a Igualdade), cor também usada no Barrete frígio, que serviu como um dos símbolos da Revolução, também sendo considerada uma cor “Republicana”, ao passo que o Azul seria uma cor “Monarquista”
Alguns autores maçônicos equivocadamente afirmam que a cor vermelha representa a Casa dos Stuart. Nada mais incorreto, haja visto que o Brasão dos Stuart é Azul e Amarelo.
O NOSSO LADO DA ESCADA
A Maçonaria é universal. Quando iniciamos, aprendemos que existem “diversos ritos, que em nada alteram sua essência”, e que nosso Rito é o Escocês Antigo e Aceito. Cada Irmão praticante de qualquer rito, encontra uma escada em sua jornada. No R∴E∴A∴A∴, a nossa escada conta com 33 “Degraus”, aqui chamaremos de Graus – cada um com um ensinamento específico e ritual próprio.
Abaixo, trouxe, a título de conhecimento as designações dos Graus, desde a Loja Simbólica até o Grau 33° do R∴E∴A∴A∴ :
Os três primeiros graus (Aprendiz, Companheiro e Mestre) – os graus SIMBÓLICOS - representam as três etapas da evolução do pensamento humano: intuição, análise e síntese. Além disso, conferem ao iniciado, simbolicamente, a capacidade de autodomínio, ou seja, a capacidade de controle de si mesmo, de suas paixões e de suas emoções, num verdadeiro conhecimento do seu ser interior, do seu ego.
Os Graus que se estendem do 4° ao 18° - LOJA DE PERFEIÇÃO E CAPÍTULO ROSACRUZ saem do restrito conteúdo do ser humano e conduzem ao conhecimento cósmico, à identificação com o universo, através da solidariedade e do amor.
Os graus que se estendem do 19° ao 30° - CONSELHO DE CAVALEIROS KADOSCH - harmonizam os ensinamentos precedentes mostram o caminho da realização do Homem, em Consonância com tudo que há no Universo.
Aos graus administrativos, ou sejam, 31, 32 e 33, os últimos do R∴E∴A∴A∴, confere-se o direito de pertencer aos Corpos que legislam soberanamente como Grandes Lojas, Conselhos, Supremos Conselhos, etc.
CONCLUSÃO
Desde suas origens na Escócia, permeado pela influência francesa até sua disseminação nos Estados Unidos, o R∴E∴A∴A∴ tem representado um farol de instrução espiritual e filosófica para seus adeptos. Os graus que o compõem, cada um imbuído de sua própria mensagem e ritual, mostram uma jornada de auto-conhecimento e crescimento espiritual para os IIr∴. Além disso, a questão das cores, exemplificada pelos aventais vermelhos e azuis, não apenas reflete a diversidade existente dentro da Maçonaria, mas também ressalta a importância dos valores e princípios comuns compartilhados entre os IIr∴. Ao abraçar a universalidade inerente à Maçonaria, o Rito Escocês Antigo e Aceito continua a inspirar e a orientar aqueles que buscam a verdade, a fraternidade e a realização espiritual em sua jornada maçônica.
BIBLIOGRAFIA
Compêndio Litúrgico do GOP – 5ª Ed. Setembro/2006
SUPREMO CONSELHO DO BRASIL PARA O R.E.A.A., Estatuto, 10ª ed, Bloch Editores, Rio de Janeiro, 1986.
ISMAIL, KENNYO: https://www.noesquadro.com.br/ordens-ritos-rituais/rito-escoces/reaa-mitos-sobre-sua-cor-e-autor/
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