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Reformatório de Homens

24 de abr.
3 min de leitura

Texto do Ir. Clovis Roberto Cassiani


Como um escultor diante do mármore, o minerador deve reconhecer, entre tantas pedras, aquelas que guardam verdadeiro valor. Antes da extração, os geólogos interpretam os sinais da terra — e o que é precioso, muitas vezes não está evidente, se esconde. Cada mineral, seja joia ou matéria-prima, exige critérios específicos de escolha.

 

Afinal nem tudo que brilha tem valor, e nem tudo que é valioso se revela à primeira vista.

 

O CAMINHO PARA O FUTURO É OLHAR PARA O PASSADO

 

         A alegoria acima tenta mostrar o quão complexo o processo é. Infinitamente mais complexo é identificar uma pessoa que tenha as características para ser admitido à Ordem.

         Espera-se, minimamente, que o candidato traga consigo uma essência que transcenda as meras qualificações técnicas ou habilidades sociais, carregando no interior de seu ser algumas das virtudes que, em um mundo cada vez mais marcado por contradições e desafios éticos, se tornaram faróis de esperança para a convivência humana.

Honestidade que inspire confiança;

Ética que oriente suas decisões;

Humildade que permita-o reconhecer que jamais sabe demais ou que possui conhecimento da verdade absoluta;

Justiça que respeite o equilíbrio entre direitos e deveres;

Fidelidade conjugal que fortaleça os laços íntimos e amor familiar que seja alicerce para suas escolhas;

Altruísmo, na sua forma mais genuína, permeie suas ações, não como um ideal distante, tampouco uma bandeira, mas como prática viva que reflita o valor do outro em cada gesto.

Afinal, são essas virtudes básicas que moldam um ser humano digno de contribuir para um mundo melhor, MAS:

 

A MAÇONARIA NÃO É UM REFORMATÓRIO DE HOMENS.

 

Estas são características essenciais para que alguém possa ser considerado, ainda que de forma inicial para se juntar a nós.

No mundo profano, são virtudes que distinguem aqueles que buscam a retidão e podem saltar aos olhos, mas, no caminho maçônico, representam o mínimo indispensável para trilhar essa senda de aperfeiçoamento.

A Maçonaria não se propõe a reformar homens ou corrigir suas imperfeições mais profundas; seu propósito é mais elevado: "fazer de homens bons, homens melhores". Essa transformação não ocorre por imposição, mas pelo cultivo interno das virtudes e pela prática constante dos ideais que, quando verdadeiramente abraçados, iluminam não apenas o homem, mas todos ao seu redor. Afinal, a jornada na Maçonaria é uma construção contínua, onde o aprimoramento pessoal reflete o compromisso com a humanidade.

Uma vez iniciado, o irmão recém-admitido carrega consigo não apenas o peso de sua jornada individual, mas a responsabilidade de ser reflexo e voz de todos nós, seus irmãos, no mundo profano. Embora sua condição como maçom possa permanecer discreta, seus atos, inevitavelmente, transcendem o indivíduo, simbolizando a honra, os valores e o caráter da Loja que o acolheu. Cada gesto, palavra e escolha torna-se testemunho de um compromisso maior, pois ele não apenas caminha por si, mas representa a integridade de toda a fraternidade perante os olhos do mundo.

         O Aprendiz de hoje traz consigo o destino potencial de se tornar o Venerável Mestre de amanhã, e é exatamente por essa razão que devemos exercer com profundidade nosso discernimento ao acolher aqueles que darão continuidade àquilo que aqui professamos e construímos. Cada decisão (certa ou errada) tomada neste momento reflete diretamente na preservação e no fortalecimento de nossos ideais, pois não se trata apenas de manter tradições, mas de assegurar que nossos valores encontrem eco nas gerações futuras. Para isso, mais do que presença, precisamos de irmãos genuinamente comprometidos com o legado da Loja e atentos aos ensinamentos do passado, para que amanhã possam sustentar o que hoje edificamos. Foi esse o compromisso firmado na nossa sindicância: dedicar uma pequena fração do nosso tempo a este canteiro de obras. É uma responsabilidade coletiva e inescapável, que exige de nós sabedoria, prudência e uma visão que transcenda o presente, guiando-nos na escolha de quem será o guardião dos princípios que nos sustentam. Quando o cuidado cotidiano falha, a chama não se apaga pelo vento, mas pela simples inércia de dentro: um dia sem zelo, outro sem presença, e logo o fogo vira brasa fria. Então o legado, que deveria ser transmissão viva, corre o risco de se transformar em rito vazio — a forma permanece impecável, porém o sentido se perde; cumpre-se agenda, mas sem espírito. A Loja, aos poucos, empobrece em quadros: faltam irmãos preparados para sustentar os trabalhos, assumir responsabilidades e carregar o ofício com maturidade e cuidado.

Por fim, o futuro cobra o que o presente negligenciou: o que não se forma hoje vira lacuna amanhã, e a obra que deveria crescer passa a apenas se manter “em pé”, como estrutura oca e sem vida.

 

BIBLIOGRAFIA

 

Trabalho autoral

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