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O Templo de Salomão

8 de mai.
2 min de leitura

Texto do Ir. Flavio Dellanzana - Grande Oriente de Santa Catarina/COMAB



O Templo de Salomão é celebrado como uma maravilha arquitetônica e um feito histórico, sendo também um poderoso emblema da evolução espiritual. Tanto em sua dimensão histórica quanto no âmbito lendário, ele se ergue como símbolo de valores profundos.


Representa, primeiramente, a sabedoria incomparável de Salomão, cujo discernimento e prudência guiaram sua construção. A força, outro pilar essencial, manifesta-se no trabalho árduo e na dedicação incansável dos operários, que, pedra por pedra, edificaram um monumento dedicado a Deus.


A beleza do projeto, executado com precisão quase divina, reflete uma estética que transcende a aparência visual, alcançando uma simetria que fala diretamente à alma. Esse templo, mais do que uma edificação, constitui um ponto de convergência das mais elevadas aspirações do espírito humano.


Ao adentrarmos o campo da lenda, a Maçonaria introduz personagens marcantes, como Hiram Abiff, o arquiteto e Mestre de Obras do Templo, cuja história ocupa lugar central no Grau de Mestre Maçom. Embora não possua base histórica documentada, essa narrativa funciona como um poderoso veículo de ensinamentos morais e filosóficos.


Nesse contexto, os três Graus simbólicos da Maçonaria Moderna — Aprendiz, Companheiro e Mestre — ganham destaque. Segundo a tradição, eles se inspiram nas etapas de aprendizado e desenvolvimento no ofício da construção, refletindo, sobretudo, a evolução do indivíduo dentro da Ordem. Cada Grau representa um estágio de aperfeiçoamento, com lições, simbolismos e rituais próprios.


Originalmente, na Maçonaria operativa — formada por pedreiros e construtores —, os principais Graus eram o de Aprendiz e o de Mestre (também chamado de Companheiro de Ofício). Com a transição para a Maçonaria especulativa, na qual o foco passou da construção material para a formação moral e espiritual, houve a formalização e expansão dos Graus. O Grau de Mestre Maçom, tal como hoje é conhecido, desenvolveu-se significativamente após a formação da Grande Loja da Inglaterra, refletindo a transformação da Maçonaria de uma guilda de artesãos em uma organização de caráter filosófico e ético.


Diversas lendas e diferentes sistemas maçônicos — como o Rito Escocês Antigo e Aceito, o Rito Adonhiramita e o Real Arco (incluindo Capítulo, Críptico e Comanderia) — fazem referência ao Templo de Salomão. Esses Graus exploram não apenas sua construção e dedicação, mas também sua reconstrução sob Zorobabel. Segundo a tradição, essa reconstrução pode ter consistido na recuperação de tesouros ocultos em uma cripta sob o templo.


Essa cripta, elemento central na Maçonaria Críptica, simboliza um espaço de revelação de mistérios e de preservação de conhecimentos valiosos. Séculos mais tarde, acredita-se que esse mesmo local teria sido associado à descoberta de tesouros pelos Templários, o que lhes teria conferido poder e riqueza.


Por fim, o Templo — grande símbolo do trabalho operativo — vai sendo deixado para trás à medida que se traça uma nova rota, conduzindo a jornada para um plano mais elevado de compreensão e significado.

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